Pioneiros do conhecimento científico

INVESTIGAÇÃO EM CURSO E EXPOSIÇÕES PREVISTAS PARA 2012  

  Leite de Vasconcelos, Brito Camacho, Ataíde de Oliveira e Estácio da Veiga

Os museus da RMA voltam a juntar-se em 2011 e 2012 com vista ao desenvolvimento de um projecto comum em torno dos “Pioneiros do conhecimento científico no Algarve”. A investigação em curso durante 2011, e a exposição polinucleada em 2012, centrar-se-ão em alguns dos primeiros protagonistas implicados no conhecimento da região (Estácio da Veiga, Ataíde Oliveira, José Formosinho, Estanco Louro, entre outros), bem como sobre as representações do Algarve nos discursos da etnografia, arqueologia e história local, nos séc. XIX e XX.

 

Foi no último quartel do séc. XIX e a implantação da Republica que emergiu e se afirmou uma geração de figuras intelectuais com interesse pelas “coisas do povo”. Imbuídos pelos ideais do Romantismo e já mais tarde pelos republicanos, procuraram através estudo da cultura popular – entendida como essência da nação – esclarecer e fundamentar os contornos da identidade do país. São de destacar os estudos filológicos e recolhas etnográficas de Adolfo Coelho, Teófilo Braga e Consiglieri Pedroso, os trabalhos de recolha arqueológica e etnográfica de Leite de Vasconcelos, ou o labor de Estácio da Veiga em Mafra, Mértola e Algarve.

O panorama, nesse período, caracteriza-se também pela crescente multiplicação de investigadores locais, expresso na proliferação de estudiosos, de trabalhos de âmbito regional e de museus locais. Multiplicam-se pesquisas monográficas e alarga-se a cobertura territorial. Emerge, neste contexto, a figura do erudito ou estudioso local. Movidos ao mesmo tempo, pelo interesse e curiosidade científica e pelo desejo de promoção simbólica da terra e região natal, padres, militares, homens de direito, médicos protagonizam este movimento.

No Algarve surge uma numerosa bibliografia na área da etnografia e história local da responsabilidade de Ataíde de Oliveira (que mantinha estreitos contactos com Teófilo Braga e Estácio da Veiga), com os Contos Tradicionais do Algarve, o As Mouras Encantadas e os Encantamentos no Algarve, o Romanceiro e Cancioneiro do Algarve, bem como as suas monografias de vários concelhos. Na área da arqueologia é pioneiro o labor de Estácio da Veiga, natural de Tavira, com a publicação da Carta Arqueológica do Algarve (1872/1882) das Antiguidades Monumentais do Algarve (1886 a 1891), bem do seu projecto de criação do Museu Arqueológico do Algarve, por cuja organização foi incumbido oficialmente. Já no primeiro quartel do séc. XX é digno de realce, na área da etnografia, o Livro de Alportel de Estanco Louro.

As primeiras aproximações da arqueologia, etnografia, histórica local e ciências afins ao Algarve foram determinantes na definição de uma identidade para a região, tendo sido sucessivamente utilizadas pelo poder político, para legitimar a sua doutrina e prática, bem como pelo turismo, contribuindo para a construção de algumas representações do Algarve e da sua cultura popular que ainda hoje prevalecem em alguns sectores. Na área das ciências foram também a base para, num processo cumulativo de construção de conhecimento, estudos e reflexões sobre a região e as suas culturas tradicionais que se vieram a desenvolver em períodos posteriores.

Encontrando-se o corpus documental, que resultou do labor destes pioneiros, na base do trabalho que hoje se vem desenvolvendo na área da etnografia, este projecto da REDE DE MUSEUS DO ALGARVE para 2011 e 2012 será um interessante ponto de partida para a desejada definição de linhas estratégicas e metodologias para o inventário e salvaguarda do PCI no Algarve.

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